Júlia Machado - empreendedorismo feminino na tecnologia - Impact Hub Floripa
Júlia Machado – empreendedorismo feminino na tecnologia
18 setembro 2018 - floripa

A Júlia Machado veio a este planeta azul pra somar em temas ligados ao empreendedorismo feminino.

Nossa membro desde 2015, hoje ela é uma liderança ativa em prol da igualdade entre mulheres e homens, atua como gestora da sua empresa CurtaCircuitos e com projetos fantásticos, como as Anitas e o Technovation Challenge.

 

O INÍCIO DE TUDO

 

Desde sempre era a líder de turma da escola. Mesmo que não quisesse, os coleguinhas faziam questão.

Já era multi também: escoteira, bailarina e ajudava a mãe numa ONG que garantia a alimentação de dois asilos, 3 creches e um orfanato.

Nasceu em Porto Alegre e achava que a capital gaúcha era a capital do mundo. Era só lá que conhecia, então nada mais natural…

Fez faculdade de Publicidade e Propaganda, com ênfase em marketing, no IPA.

Trabalhou em agência de publicidade e começou como secretária. Foi subindo degraus e virou mídia da agência – atendia clientes de peso como BIG, Arroz Tio João, dentre outros. De lá saiu para uma agência de websites, como gerente de projetos – tudo por indicação de dois primos.

O que sabia de gestão de projetos? Nada. A oportunidade bateu na porta e teve que aprender a ser gerente de projetos ou controller. Atendia os clientes, verificava qualidade, avaliava a produção e tudo mais. De lá partiu pra São Paulo.

Aí seu mundo se abriu.

Atuava como gestora de projetos de endomarketing com clientes como Vivo e Coca-Cola. Nessa época a Júlia estava muito muito bem… até que sua mãe precisou dos seus cuidados em Porto Alegre. O coração chamou mais forte.

E ela voltou.

Se formou enfim.

Ainda atuava como gerente de projetos – mas com renda bem menor que a da capital paulista. Dilema intenso.

Os mesmos primos, em seguida, resolveram empreender em Floripa com o desenvolvimento de jogos, arte e programação de engine para os clientes. Claro que eles chamaram a Júlia para ser a gestora de projetos deles. Se mudou para a Ilha da Magia sem pestanejar e foi para uma feira em Londres, que é a segunda maior do mercado de gambling do mundo. Aí seu universo se expandiu de novo.

 

FOCO FOCO

 

Sempre teve a oportunidade de trabalhar com pessoas muito inteligentes que exigiam dela nunca ficar na zona de conforto. Tudo depende da nossa postura em relação ao mundo, né? Outras pessoas poderiam ter achado muito difícil e desistido dos desafios. Desafios esses que num determinado momento geraram nela um burnout. Pensa. Antes dos 30 e complemente esgotada. Veio aprendizado daí também e a vontade de empreender.

Hoje é até engraçado ver que a primeira tentativa de empreender da Júlia envolvia mulheres sob uma ótica bem diferente da atual: ela lançou a “Jujuba Festas para Meninas” – animação para festas de meninas. Fez um evento. E odiou com todas as suas forças. Cansativo. Sem lógica com sua realidade, porque ela maquiava as meninas  – mas não maquiava a si mesma. Desistiu.

Com o marido, Paulo Henrique, montaram o Curta Circuitos, que é uma empresa que produz e prototipa soluções de hardware – ou seja, pode fazer placas de circuito interno em pequena escala.

Inclusive, vamos abrir um espaço para o Paulo Henrique:

Sabe quando a gente fala um assunto e o olho da pessoa brilha? O da Júlia brilhou quando o tema foi seu amor há 8 anos, com quem tem uma filhota fofíssima, a Norah. Com ele o amor iniciou pela convivência no dia-a-dia. Se conheceram quando ela coordenava a mudança de escritório da empresa dos primos (lembra deles?), toda descabelada e exausta – hahahaha. Falando sério, ela acha ele um cara diferenciado, inteligente mesmo e com a capacidade de explicar coisas complexas de uma forma simples. Admirar o parceiro é um sentimento maravilhoso e isso acontece entre eles.

Voltando ao empreendedorismo, por acaso (aham, acaso, sabemos) viu o anúncio de um projeto novo, o Startup SC. Inscreveu o Curta e… tcharan! Foram aprovados!!

O primeiro dia do programa é feito para destruir sua ideia e vários participantes ficaram desanimados. No segundo dia, ela e Paulo Henrique resolveram mexer no pitch que já haviam construído e a Júlia foi lá pra frente de toda a turma e… falhou miseravelmente!

Trauma. Passou o restante do programa quieta.

 

AS MULHERES NA TECNOLOGIA

 

Nesta edição do Startup SC havia 30 empresas, apenas umas 5 ou 6 tinham mulheres em cargos de liderança. As poucas mulheres decidiram se juntar e nada aconteceu de fato. Todo mundo na correria. A gente entende.

Em 2015 pediu abrigo ao Sebrae, reuniu a Ana Locks e a Mariana Scaff. Queriam reunir as mulheres para falar de tecnologia e empreendedorismo feminino. Nenhuma tinha noção de feminismo, nem nada. Inclusive, ela reconhece o quão machista já foi um dia. Passado. No primeiro dia, abriram o jogo que queriam fomentar o empreendedorismo feminino.

Decidiram fazer encontros em bares. Na primeira noite, o local comportava 100 pessoas e apareceram 105!!! Sinal de iniciativa interessante! Emília Chagas e Lívia Amorim, lideranças do segmento de tecnologia da ilha, também estavam lá com outras mulheres de visão <3

No segundo evento, o espaço lotou e várias pessoas ficaram de fora. Quem estava lá dentro teve que lidar com os homens conversando e as mulheres pedindo silêncio porque a noite era delas.

Sabe o trauma de falar que ela adquiriu no Startup SC? Se mantinha intacto… até que num dos eventos, noite de chuva intensa e, consequentemente, menos pessoas no local, a Júlia se permitiu sentar e tomar uma cerveja enquanto a conversa acontecia no palco. Nesta noite ela se revelou, para os outros e para si mesma. Falou, interagiu, argumentou e viu que era capaz, sim. A partir daí, zero trauma de falar perante o público.

Com estes eventos um novo mundo se abriu de novo e veio a necessidade de lidar com informações que inicialmente causaram estranheza, como:

Mulheres têm baixa representatividade na operação e nas lideranças das empresas de tecnologia, assim como há disparidade gritante nos salários.

Pelo que a Júlia percebe, muitos aspectos culturais estão presentes. Dentre eles, os homens têm maior habilidade de negociação. E as mulheres precisam aprender como negociar e saber se valorizar profissionalmente. E isso é prática.

 

O EMPREENDEDORISMO FEMININO DA NOSSA COMUNIDADE

 

Empreendedorismo feminino passou a fazer parte do seu dia-a-dia, e só o que ela sabe é que ainda precisamos de muita desconstrução.

Nosso papel é preparar o caminho para as mulheres das próximas gerações.

Aí é que as Anitas e outros projetos vêm engrandecer nossa comunidade. A sensação de receber e-mail de uma guria agradecendo o auxílio na construção do currículo que levou a uma proposta de emprego, ou fazer conexões entre mulheres de empresas diferentes, ou conexões que geram oportunidades de emprego (como a da querida Bruna que é a nossa primeira jovem aprendiz – ela foi ‘encontrada’ no Technovation). Além da satisfação pessoal, tem a ver com a sua atividade profissional.

Hoje elas têm uma nova Anita, que veio dar um gás nas atividades e o projeto dos eventos será retomado. Tudo se baseia em 3 pilares:

comunidade (Technovation Challenge, PyLadies – ela é uma das fundadoras aqui em Floripa),

conexões (para integrar a comunidade e atrair também os homens para este espaço de troca) e

capacitação (SpringTech para as mulheres exercerem o protagonismo no setor de TI, os bootcamps de 6 semanas que virão em 2019 e as mentorias)

Elas hoje estão fazendo o SpringTech, que trata de desenvolver lideranças femininas.

As Anitas em breve terão um banco de talentos bem especial, para unir mulheres que atuam na tecnologia com empresas de portas abertas para a diversidade.

 

Confere mais por aqui

 

 

Júlia, ter você por perto é sempre ótimo.

Vida longa ao empreendedorismo feminino e à igualdade entre as pessoas de todos os tipos <3

 

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O Alessandro Gomes é gestor de uma empresa de bitcoin.

A Teresa Pesenti trabalha com a voz em diferentes nuances.

A Maidi Dalri busca trazer dinamicidade para a educação.