O que a diversidade tem a ver com Inovação Social? Tudo! - Impact Hub Floripa
O que a diversidade tem a ver com Inovação Social? Tudo!
2 maio 2019 - Ana Hoffmann

Na última semana, vi muitas discussões sobre diversidade por causa da propagando do Banco do Brasil que foi retirada do ar devido aos jovens que nela estavam representados. Jovens esses que são a realidade do nosso país. Mas não, esse texto não é sobre política. É sobre diversidade e a sua importância para a nossa sociedade no contexto da inovação.

As notícias da semana só me fizeram lembrar do evento que participei recentemente em Florianópolis, o Festival Global de Inovação Social, um dos encontros mais diversos que fui. Nele, não havia só palestras de homens brancos falando dos seus sucessos profissionais. Nele, eu me inspirei com mulheres negras falando das suas conquistas. Vi também participantes de diversas raças, nacionalidades e orientações sexuais. Éramos todos participantes diversos buscando saber mais sobre inovação social.

E falando em inovação, o evento fortemente ressaltou a importância de fazer junto, de que o nós é sempre maior do que eu. Isso me fez refletir da importância de pensar como sociedade e não só o que se refere ao meu limite como pessoa. Nascemos como seres sociais. Logo, sozinhos somos limitados. A Gabriela Werner, CEO do Impact Hub Floripa – organizador do evento, afirma que

conexão e diversidade são pontos fundamentais em um ecossistema inovador”.

Portanto, qual sentido de inovar se não for pensando no social para criar reais transformações no mundo? Um dos passos para que isso aconteça é viver em um ambiente diverso, conviver com pessoas diferentes de nós mesmos e sair da nossa bolha. Quando falo de bolha é porque realmente cada um de nós vive na sua. Sejam as amizades que temos, convívio familiar ou colegas de trabalho. Mas e se experimentarmos viver experiências diferentes de vez em quando? Será que é possível sair da nossa zona de conforto e ter novos insights? Certamente que sim.

O Dazideia também me comprova isso. Os Meetups que organizamos oferecem um espaço para pessoas apresentem o pitch das suas ideias ou negócios inovadores em estágio inicial e recebam feedback de um público multidisciplinar. E é justamente a diversidade dos participantes, que são desde estudantes, empresários e até investidores, que geram os insights mais variados para os negócios. Cada um, com seu background e contexto, enxerga uma ideia de maneira diferente e pode contribuir com questionamentos relevantes. O contexto de cada um deve ser levado em consideração quando pensamos no social.

Voltando para o Festival, tivemos um painel com alguém que vivencia a realidade das favelas para mostrar que existe inovação em todos os lugares. Para Raull Santiago o

“Brasil é uma grande periferia, que é a potência, o centro e que faz acontecer”.

Ele fala que a favela vive o problema, busca formas de resolver, resolve, além de gerar renda e capital de giro no seu próprio entorno. A arte e serviços como moto táxi são exemplos. Além disso, Raull trouxe também a reflexão de que obras e ações sociais muitas vezes são desenvolvidas por empresas e poder público não com o intuito social, de fato, mas com o objetivo do potencial capital que pode gerar para quem os realiza.

Outro ponto que devemos levar em consideração são os privilégios que temos hoje, reflexão trazida pela Youtuber Jout Jout. Existe uma falta de consciência sobre esses privilégios que nos deixa muitas vezes cegos sobre a realidade dos outros. Sim, nós, pois eu tenho a humildade de dizer que me incluo nisso. Jout Jout deu o exemplo de um desses privilégios que é o direito de andar distraído por aí. Isso mesmo! A Youtuber trouxe uma provocação sobre o caso do músico assassinado recentemente no Rio de Janeiro com 80 tiros enquanto ia para uma atividade social com sua família. Será que se ele fosse branco isso teria acontecido?

Essa reflexão que chegou até mim no evento e espero que também tenha tocado você que parou para ler esse post, nos leva ao ponto do que isso tem a ver com inovação social. Devemos pensar no outro e na sua realidade para buscar mecanismos de diminuição das desigualdades. Se levarmos essas reflexões para aqueles que convivemos, podemos, juntos, criar uma sociedade mais consciente e que, de fato, pensa e age em problemas reais. Com isso, é possível criar soluções focadas no ser humano.

Se queremos transformar o país e mundo que vivemos, precisamos começar por nós mesmos saindo da nossa zona de conforto, da nossa bolha. E o que a diversidade que falei no início do post tem a ver com tudo isso? É através dela que novas coisas surgem, que aprendemos a viver em sociedade, respeitando e convivendo com o outro da maneira que el@ é, trabalhando em conjunto por um futuro melhor para tod@s.

por Camila Ferreira

Cofundadora do Dazideia, comunidade catalisadora de inovação que conecta pessoas e ideias, e membro do Impact Hub Floripa.