Cláudia Picone - parcerias ambientais - Membro Impact Hub Floripa
Cláudia Picone – parcerias ambientais
16 julho 2019 - Impact Hub

Tenha o prazer de conhecer nossa membro, Cláudia Picone Villas Bôas.

Ela é engajada em causas ambientais há muito muito tempo, dá para ousar dizer que foi uma das visionárias sobre o tema. Tem tudo a ver com o ODS 13, que é o nosso foco do mês, e trata do combate às alterações climáticas.

Há alguns anos a Cláudia atua como ponte entre organizações que buscam preservar o meio ambiente e possíveis investidores.

 

Tudo começou na faculdade de Comunicação Social / Publicidade e Propaganda. Os 2 primeiros anos do curso eram focados na área de humanas e isso trouxe uma noção crítica forte dos problemas socioeconômicos do Brasil e do mundo – não dava mais para encarar o mundo de forma diferente.

Trabalhou em agência de publicidade e lá teve o clic que regeu a sua vida: sentia um conflito enorme em vender produtos que não acreditava – principalmente porque visavam um consumo sem lógica. Ela se viu perpetuando a miséria ao fomentar o desejo desenfreado pelo consumo.

 

Propósito

Tinha 23 anos e queria vender ideias, propósitos ao invés de produtos.

Hoje alguém vir nos falar isso, é comum, não? Mas imagina há uns 20 anos atrás? Devia causar estranheza no pessoal.

Ainda ligada no curso de comunicação, queria sair do país para fazer mestrado em marketing nos EUA. Aplicou para um curso lá, foi aprovada, mas foi negado o visto.

Assim como voltar duas casas no jogo de tabuleiro, teve que voltar para a casa dos pais. Teve que rever toda sua ideia. Sacou que marketing não era bem seu caminho e veio o clic da área ambiental.

Historicamente, sempre curtiu muito a natureza e os bichos.

 

No mundo

Então foi pra Inglaterra. Estudar inglês e trabalhar, com o objetivo de fazer mestrado, na área de estratégia de negócios e gestão ambiental. De fato fez o mestrado na Bradford University por 1 ano – veio à tona sua vontade de vender ideias.

Também trabalhou numa ong ambiental, chamada Groundwork UK, espalhada em vários lugares da Inglaterra. Era considerada junior e sua função principal era criar o material de comunicação e se relacionar com os doadores. Como uma ponte.

Era tudo que ela buscava: comunicação engajada com uma causa.

Foi para a China depois de um ano. Morou por lá durante 7 meses. Trabalhou com uma ONG ambiental, a Green Institute – que tratava de economia ambiental. O local onde morou era rico cultural e ambientalmente. Fomentavam o fórum de ONGs internacionais e locais, que era realizado em reuniões mensais com foco em entender como se daria a conservação social e ambiental da região. Seu papel lá? De novo ser ponte. Captava recursos com fundos internacionais.

Voltou para a Inglaterra e nessas idas e vindas, ficou 5 anos fora do Brasil. Ocorre que passou a sentir falta do verde das florestas e do sol batendo nas pernas. Andar no meio do mato era algo que sentia falta.

Assim, se inscreveu à distância para vagas em ONGs do Brasil. Surgiram 3 entrevistas. E a Cláudia voltou pra cá direto para Belo Horizonte, na ONG Conservação Internacional – Conservation International. Fazia o quê? Relação e captação de recursos com doadores americanos. Ponte again. Ficou 2 anos lá.

 

De volta pra casa

Em 2001 surgiu na sua vida a TNC, The Nature Conservancy. Hora de voltar a Curitiba e viver um processo longo de entrevistas.

Deu certo.

Está na TNC desde então. Hoje todos os programas que antes eram fracionados por região, foram unidos – têm o Programa Brasil, que trabalha nos principais biomas brasileiros: proteção hídrica, restauração florestal, povos e terras indígenas, infraestrutura inteligente e agricultura sustentável.

Hoje está Coordenadora de parcerias de marketing. Continua com as pontes: com o foco maior em doadores brasileiros.

Na TNC hoje ela consegue ver as transformações que já ocasionaram na mata atlântica. Perceba que quando se fala em meio ambiente, por mais que haja o estímulo humano de acelerar o processo, as coisas têm seu tempo.

No ano de 2006, impactados com a devastação da Mata Atlântica – hoje temos área de 12% em relação ao seu tamanho natural – criaram um plano de ação coletivo para a restauração dela em larga escala. A Mata Atlântica é um bioma totalmente nativo, com espécies que só vivem lá e foi invadido pela agropecuária de commodities, como cacau e café.

Então criaram um plano de ação para a restauração em larga escala. Tinham que gerar um movimento coletivo onde instituições do governo, setor privado, academia, para uma grande onda de restauração. Só assim para conseguirem a escala suficiente para fazer isso acontecer.

Agora, em 2019, parcerias com o governo de 10 estados brasileiros uniram os esforços para criar essa grande onda.

Tem uma grande extensão de área em processo de restauração que é monitorada por esse coletivo no estado do ES. Eles monitoram a área por aproximadamente 5 anos ou até o ponto em que está apta a virar floresta sozinha, sem intervenção humana.  Esse tempo varia de região para região.

Devido a um plano de ação, benefícios para o ecossistema.

 

A transformação do planeta é coletiva. Não é de um dono só.